sexta-feira, 30 de setembro de 2011

DIVA DO MEU DIVÃ (A fábula do magro poeta apaixonado que inebriou-se com a Diva que repousava com a quietude dos peixes em seu divã)


(Fred Gusmão)

Tara de imã
Dor de benzetacil
Traz minha rima
Na luz do Azul-Anil

Prática e fina
Escrita da inspiração
Vulto que se empina
Receba esta canção

Brilho da crina
Voz cristalina
Uivo e raiva canina
Olho da China
Audácia de prima
Eu quero essa menina

Tudo me ensina
O afeto, a fé e o afã
Musa da retina
Diva do meu divã

Fera feminina
Visão pra onde for
Embala e mima
Meu corpo, alma e o meu amor

Passarin Preto

(Fred Gusmão)

Um dia desses chego na janela
Pra falar dessa esfera
Canto uma canção sincera
E peço pr'o vento espalhar
Com esse cheiro de terra molhada
Obra dessa madrugada
Leva pra rapaziada esse modo de pensar

Passarin' Preto vai passar na hora
Para não ficar de fora
Pegará uma viola e cantará uma canção
A ave negra, então, nesse momento
Vai lembrar do mandamento
E com muito sentimento nesta observação

Com a ausência do feijão e o sumiço do pão,
Ninguém fica com vergonha e ainda chamam de irmão
Com a ausência do feijão e o sumiço do pão,
'Inda querem que no mundo não exista ladrão


Meu Deus do Céu, que também é da terra
Tem gente que vira fera
E manda pra fila de espera a ajuda pr'o irmão
Pra essa gente que não entende nada
Essa vida é uma piada,
Diz que o amor não tá com nada, não existe salvação